Dicionário-Texto de Budismo: D – G

 

DEZ IMPERFEIÇÕES – é Buda que diz: 3 para o corpo (matar, roubar, e, o mau uso dos prazeres sensuais: adultério, luxúria, gula etc.); 4 para a palavra (mentir, dizer palavras vãs, dizer palavras rudes, difamar), e, agir pelo mau pensamento (desejo de concupiscência, desejo de prejudicar – ódio e inveja –, incredulidade – juízos errôneos dúvida cética e discursiva).

DEZ PERFEIÇÕES – no budismo Mahayana este é o caminho do Bodhisattva; segundo o Sutta Pitaca, Buda-Vasna, são as seguintes: (1) caridade ou generosidade (dana), (2) a conduta ética ou dever (sila), (3) a renúncia (nekkhamma), (4) a sabedoria (panna), o esforço, energia (virya), (6) a paciência (khanti), (7) a fidelidade (sacca), (8) a determinação (adhitthana), (9) a bondade ou compaixão (metta), e (10) a equanimidade (upekka).

DEZ PRECEITOS: expansão dos Oito Preceitos de Purificação (ver neste dicionário), incluin­do (9) não comer depois do meio-dia; (10) não possuir ouro, prata ou outros metais e pedras preciosos.

DEZOITO GRANDES ARHATS – que prometeram permanecer no mundo depois do Parinirvana do Buda para proteger o Darma até que fosse proclamado por Maitreya, o próximo Buda do Bhadrakalpa. Segundo Bu-ston, no budismo primitivo encontram-se dezesseis grandes Arhats; são eles: Panthaka (ou, Svapaka), Abhedya, Kanaka, Bakula, Bharadvaja, Mahakalika, Vajriputra, Rahula (não era o filho de Shakyamuni), Sribhadra, Gopaka, Nagasena, Vanavasin (ou, Vanava), Ksu­drakapanthaka, Ajita, Kanakavatsa e Angiraja. Confor­me outras fontes tradicionais (budismo primitivo) os nomes dos Dezesseis Arhats são Angaja (ou, Ingada), Ajita, Vanavasin, Kalika, Vajriputra, Sribhadra, Kanakavatsa, Kanakabharadvaja, Bakula, Rahula (não era o filho de Shakyamuni), Cudapanthaka, Pindola, Bharadvaja, Panthaka, Nagasena, Gopaka, Abheda. Na tradição Mahayana, foram acrescentados mais dois Arhats; citaremos os dezoito, com os nomes encontrados em nossas fontes: Pindolabharadvaja, Kanakavatsa, Kanakabharadvaja, Subinda, Bakula, Bhadra, Kalika, Vajraputra, Jivaka, Panthaka (ou, Svapaka), Nagasena, Rahula, (não era o filho de Shakyamuni), Angaja (ou, Ingada), Vanavasin (ou, Vanava), Ajita, Cudapanthaka, Dharmatrata e Maitreya (não é o próximo Buda).

DEZOITO MUNDOS ou OS DEZOITO ELEMENTOS PSICOFÍSICOS – os dezoito elementos psicofísicos são constituídos pelas seis bases internas – olhos, ouvidos, nariz, língua, corpo, mente -, pelas seis externas – formas visíveis, sons, odores, sabores, objetos tangíveis, objetos da mente – e pelos seis tipos de consciência: consciência visual, auditiva, olfativa, gustativa, tátil ou do corpo, e mental.

Este nosso ser, este nosso suposto eu, são dezoito elementos psicofísicos que se entrosam e atuam de uma maneira ininterrupta. Assim, cada vez que ouvimos qualquer coisa, opera-se um fenômeno que é condicionado pela base interna, pela base externa, e aquele momento de consciência é composto de sensação, percepção, formação e consciência.

Desta forma, os Cinco Agregados (matéria, sensações, percepções, formações mentais e consciência) que chamamos um “ser”, um “indi­víduo”, ou “eu”, são apenas um rótulo que damos a esta combinação que é impermanente e em constante mudança. O EU é um composto instável em contínuo movimento e que a todo momento se modifica; o EU dura o tempo exato de uma combinação de elementos do plano psicofísico, pois, no instante seguinte, outra é a combinação existente. Por mais que analisemos o EU, sob qualquer aspecto que possamos considerá-Io, sempre vamos encontrar a impermanência, e em nenhuma parte um lugar para qualquer coisa permanente.

Deste modo A não é igual a A nunca, mas apenas um fluxo de surgir e desaparecer sucessivos e instantâneos. Como disse Buda a Rathapala: “O mundo é um fluxo contínuo e impermanente. É como um rio de montanha que vai longe e corre rápido, ininterruptamente, levando consigo tudo o que encontra pelo caminho, não deixando um momento, um instante, de correr. Assim também, ó brâmane, a vida humana assemelha-se a esse rio; é contínua e impermanente.”

Heráclito (cerca de 500 a. E. C.) na sua doutrina, segundo a qual tudo está num perpétuo estado de mudanças ou transformações, disse: “Nunca podeis descer duas vezes no mesmo rio, pois novas águas escoarão sobre vós.”

O que chamamos indivíduo, eu, ou coisa, em suma, nada mais é que certo aspecto da corrente de causa e efeito que com nossos sen­tidos percebemos, em dado momento do tempo.

Quando uma coisa desaparece, condiciona o surgimento da se­guinte em uma série de causas e efeitos contínuos, de onde se vê que não existe substância permanente. Não há nada por detrás desta corrente que possa ser considerado como um “eu” permanente, uma individualidade; não há nada que possa ser chamado realmente “eu”. Porém, quando os cinco agregados físicos e mentais, que são ínterde­pendentes, trabalham em conjunto, surge em nós uma formação mental, que dá a falsa idéia de um “eu”. Não há outro “ser”, ou “eu”, por trás dos cinco agregados que constituem um ser. Buddhaghosa disse: “Só o sofrimento existe, porém não se encontra nenhum sofredor”.

É fundamental compreender que os Cinco Agregados da existência surgem e passam ao mesmo tempo. Quando há o contato entre a base interna e a base externa, não é que surge a sensação primeiro, depois a percepção, depois a consciência – elas surgem e passam ao mesmo tempo. Tudo aquilo que sentimos, ao mesmo tempo percebemos e ao mesmo tempo estamos conscientes de tudo aquilo que nós sentimos e percebemos.

Refletindo, observamos que os fenômenos psicofísicos são imper­manentes, pois tudo, por mais longa que seja a duração neste Universo, terá um fim. Desta forma, sobre a existência, o drama da vida, o drama de sangue, de suor, de lágrimas, da vitória do mais apto, etc., concluí­mos, verdadeiramente, esta existência é insatisfatória. De acordo com a Realidade e a verdadeira Sabedoria é impossível haver controle sobre os Cinco Agregados da existência; então vemos que não somos donos desse nosso corpo, das nossas sensações, percepções, volições e cons­ciência. Se o que temos de mais pessoal, mais íntimo, não nos per­tence, então muito menos as coisas exteriores. Desta maneira, che­gamos à conclusão de que existe um vir-a-ser, um fluxo de fenômenos; não há verdadeiramente um dono, o que nos demonstra a impessoali­dade de todos os fenômenos psicofísicos e, portanto, do eu. Quando compreendemos isto, o apego, que é a causa fundamental do sofrimento, vai-se tornando cada vez mais fraco.

DHAMMAPADA (páli) – parte do Khuddaka-Nik?ya com 426 versos sobre o ensinamento budista.

DHARANI (sânscr.) – “a que sustenta”; no budismo Mahayana e Vajrayana, curtas escrituras que contêm fór­mulas poderosas compostas de sílabas com conteúdo simbólico (mantras); podem comunicar a essência de um ensinamento ou de um estado particular da mente que é criado pela repetição da darani. Geralmente são mais longas que os mantras e mais curtas que os sutras. Veja Mantra

DHARMA (sânscr.; páli, Dhamma; chinês, Fa; jap., Hô) – “carregando”, “segurando”; os ensinamentos do Buda que portam a verdade; os orientais também usam a palavra Buddhadharma, uma das Três Jóias (Triratna); com letra minúscula, dharma geralmente se refere a um fenômeno ou manifestação da realidade. É o cerne da for­ma como o budismo vê a realidade e também o papel que desempenhamos nessa realidade. Tem vários significados, como a lei cósmica que se manifesta em todos os fenômenos; o ensinamento do Buda; o comportamento moral e as regras éticas; a realidade do estado geral das coisas; coisa; fenômeno; conteúdo mental; objeto de pensamento; idéia – o reflexo de algo na mente humana; termo para os assim chamados “fatores da existência”, considerados os blocos constituintes da personalidade empírica e seu mundo.

DHARMACHAKRA (sânscr.; páli, dhammachakka) – “Roda do Darma”; o símbolo do budismo.

DHARMADHATU (sânscr.) – “mundo do Darma”; plano em que todos os darmas (fenômenos) surgem e desaparecem.

DHARMAGUPTAKA (sânscr.; páli, Dhammaguttika; chinês, Lü-Tsung; jap., Ritsu[-Shû]) – “protetor do ensinamento”; escola fundada pelo monge indiano Dharmaguptaka, pertencente ao grupo Sthaviravada.

DHARMAKAYA (sânscr.) – “Corpo do Darma”, “Corpo da Grande Ordem”; natureza do Buda, que é idêntica à realidade transcendental. A unidade do Buda com tudo o que existe. Um dos três corpos (Trikaya), sendo os outros dois o Sambhogakaya e o Ninnanakaya.

DHARMAKIRTI – monge indiano (século VII) da filosofia Yogachara.

DHARMAPALA – guardião dos ensinamentos, protetor do Darma.

DHATU (sânscr.) – campo, esfera, reino (do desejo, da forma e da não-forma).

DHATUGABBHA (páli) – veja stupa.

DHATUGARBHA (sânscr.) – veja stupa.

DHÜTA (sânscr. e páli) – “lançar fora”; práticas ascéticas aceitas pelo Buda que se podem fazer consigo mesmo, pelo voto, por períodos de tempo específicos a fim de desenvolver o contentamento e o poder da vontade; para eliminar as paixões. São conhecidas doze práticas ascéticas: (1) usar vestes gastas e remendadas; (2) usar veste feita de três retalhos (trichivara); (3) comer somente alimento mendicado; (4) fazer somente uma refeição ao dia, (5) comer somente o estritamente necessário; (6) comer somente uma porção; (7) viver segregado em lugar afastado; (8) viver em terra de ossários; (9) viver sob uma árvore; (10) viver ao relento; (11) viver conforme lugar se apresenta, e (12) somente sentar-se, nunca se deitar.

DHYANA (sânscr.; páli, Jhana; chinês, Ch'an; jap., Zen) – meditação, concentração, absorção meditativa.

DHYANI-BUDDHA (sânscr.) – Buda meditacional; no budismo Mahayana, os cinco Budas transcendentes que representam os aspectos da mente iluminada: VAIROCHANA, AMITABHA, AMOGHASIDDHI, AKSHOBHYA e RATNASAMBHAVA.

DIGHA-NIK?YA (páli) – Coleção Longa; uma das seções do Sutta Pitaka.

DIGNAGA – monge indiano (480-540) da escola Yogachara.

DINASTIA T'ANG (618-905) – até a repressão do Budismo pelo império, em 845, a dinastia T'ang foi o mais grandioso período dessa religião na China.

DIPAMKARA – Buda lendário de um passado distante.

DISCIPLINAS DO BODHISATTVAtodas as práticas do caminho do bodhisattva, incluindo as perfeições, dentre as quais as mais conhecidas são as “seis perfeições”, ou “seis para­mitas”): (1) generosidade, (2) cumprimento dos preceitos, (3) paciência, (4) dili­gência, (5) meditação e (6) sabedoria (prajna).

DITOSA ÁRVORE DAS BRISAS MUSICAIS – tipo de árvore que só cresce nas Terras Puras dos Budas. Ela emite música ao ser tocada pela brisa.

DOAN (jap.) – a pessoa que conduz o cântico e toca os instrumentos durante um culto budista.

DÔGEN, ZENJI – monge Zen japonês (1200-1253), fundador da escola Sôtô.

DOKUSAN (jap.) – entrevista formal de estudante Zen com seu mestre.

DOSA (páli) – raiva, ódio, má vontade.

DOSHÔ – monge japonês (629-700), fundador da escola Hossô.

DOZE ATOS DE UM BUDA – são as ações significativas realizadas por qualquer Buda manifestando-se no reino humano: (1) a decisão de renascer pela última vez; (2) a descida do céu de Tusita; (3) a entrada no útero de uma mãe; (4) o nascimento no reino humano; (5) a demonstração de superioridade nas habilidades terrenas; (6) habitação em casa com mulher; (7) a partida do lar; (8) a prática de austeridades; (9) a conquista do demônio Mara; (10) a Iluminação; (11) girar a Roda do Darma, e (12) o Parinirvana.

DOZE CONDIÇÕES CAUSAIS ou doze nidanas (sânscr.) – “elos” os doze elos na cadeia da “gênese condicionada”. São eles: (1) ignorância, (2) formações cármicas, (3) consciência, (4) nome e forma, (5) os seis sentidos, (6) contato, (7) sensações, (8) desejos, (9) apego, (10) vir-a-ser, (11) renascimento, e (12) morte.

DUALIDADES, ou Oito Ventos – os quatro pares de dualidades ou opostos, também chamados de Oito Ventos, são: (1) lucro e prejuízo; (2) difamação e fama; (3) elogio e censura, e (4) sofrimento e alegria. O Buda Shakyamuni ensinou que essas oito condições, conhecidas como “ventos”, são parte integrante da vida.

DUHKHA (sânscr.; páli, dukkha; chinês, K'u; jap., Ku) – sofrimento, dor; uma das Quatro Nobres Verdades. Veja também: Trilakshana.

DVESHA (sânscr.) – raiva, ódio, má vontade.

 

E

 

EGO (lat.) – no budismo o conceito de um ego, no sentido de consciência de um indivíduo, é visto como composto de fatores não-válidos, como a delusão. O conceito de um ego instaura-se quando a dicotomização intelectual (o sexto sentido – shadayatana) é confundido na pressuposção de um dualismo entre ego e não-ego (ou outro). Em conseqüência nós pensamos e agimos como se fôssemos entidades separadas de tudo o mais. Veja Dezoito Mundos.

EIHEI-JI (jap.) – Monastério da Paz Eterna; um dos principais monastérios da escola Sôtô Zen no Japão.

EINSTEIN, ALBERT – achamos oportuno registrar um escrito deste cientista: ”A religião do futuro será cósmica e transcenderá um Deus pessoal, evitando os dogmas e a Teologia. Abrangendo os terrenos material e espiritual, essa religião será baseada num certo sentido religioso procedente da experiência de todas as coisas, naturais e espirituais, como uma unidade expressiva ou como a expressão da Unidade. O Budismo corresponde a essa descrição” 36.

EISAI ZENJI – monge japonês (1141-1215) da linhagem Rinzai Ôryô, que levou o Zen da China para o Japão. Também levou mudas de chá da China e, por isso, é conhecido como o “pai do chá japonês”.

EKA (jap.) – veja Hui-K'o.

EKO (jap.) – a prática de transferir os próprios méritos para os outros.

ENGAKU-JI – Monastério da Iluminação Completa; monastério Zen fundado em 1282 na cidade de Kamakura, no Japão.

ENNIN – monge japonês (793-864) da escola Tendai, discípulo de Saichô.

EN'Ô (jap.) – veja Hui-Neng.

ENSÔ (jap.) – “círculo”; no budismo Zen, símbolo do vazio, do absoluto, da iluminação.

ESPANADOR CH'AN (chinês, fu-tzu) – emblema da autoridade do mestre e importante instrumento pedagógico na metodologia Ch'an, sendo empregado para comu­nicar um ensinamento através de gestos, sem o emprego de palavras. Consiste em um bastão com cerdas, como um grande pincel. Simbolicamente, ferra­menta para a remoção do pó (ignorância) de uma superfície (o espelho da mente original).

ESTADO INTERMEDIÁRIO (tib., bardo) – o estado entre a morte e um próximo renascimento. Começa no instante em que a consciência deixa um corpo e termina quando ela ingressa no corpo da próxima vida.

 

F

 

FA-HSIANG (chinês; jap., Hossô) – escola chinesa fundada por Hsüan-Tsang (600-664) e K'uei-Chi (638-682), com base na filosofia indiana Yogachara.

FA-HSIEN – monge peregrino chinês (337-422) que viveu por muitos anos na Índia.

FA-HUA-CHING (chinês) – o significado do capítulo das Práticas Pacíficas do Sutra do Lótus.

FA-HUA HSÜAN-I (chinês) – significado profundo do Sutra do Lótus.

FA-HUA-SAN-MEI (chinês) – meditação do Sutra do Lótus.

FA-HUA WEN-CHÜ (chinês) – palavras e frases do Sutra do Lótus

FA-HUA WEN-CHÜ-CHI (chinês) – anotações do Hokke Mongu.

FA-LANG – monge chinês (507-581) da escola San-Lun.

FA YEN (885-958) – monge budista chinês que fundou a escola Fa Yen, que durou cerca de cem anos.

FAN CHUNG-YEN (989-1052) – funcionário do governo, durante a dinastia Sung, que cresceu em um monastério budista. Fan foi um grande benemérito para o Budismo.

FANTASMAS FAMINTOS – o penúltimo nível dos Seis Planos da Existência. Caso os fantasmas famintos comam ou bebam, o alimento transforma-se em fogo em suas gargantas.

FATOR MENTAL – conhecedor que apreende, principalmente, um atributo particular de um objeto. Há 51 fatores mentais especí­ficos.

– o budismo é baseado na visão das coisas pelo conhecimento e compreensão, e não pela fé ou crença cega. No momento em que “vemos”, a crença desaparece e a fé cede lugar à confiança baseada no conhecimento. Os ensinamentos budistas nos convidam a “vir e ver”, não a “vir para crer”. À propósito, lemos em Georges Silva, p. 29,o seguinte: “Estritamente falando, o Budismo não é uma religião, nem um sistema de fé e culto, não possuindo qualquer vinculação com um Ser Supremo. É um caminho que guia o discípulo, mediante uma vida pura e pensamentos puros, à Suprema Sabedoria e libertação”.

FESTAS DO BUDISMO

Em países Theravada:

Magha Puja – a lua cheia do mês de fevereiro comemora o discurso do Buda a 1250 monges plenamente iluminados, sob a forma de três estrofes que cultuam a essência do Darma, também conhecido como Ovadapatimokkha.

Vesakha, ou Vesak – a lua cheia de maio comemora o nascimento, a Iluminação e a morte (Parinirvana) do Buda Shakyamuni.

Poson, ou Festa do Dharma Vijaya – a lua cheia do mês de junho comemora o início da propagação do Darma por países estrangeiros, sob o governo do imperador Asoka (leia-se Ashoka) da Índia, e principalmente no Ceilão (hoje Sri Lanka), que foi convertido por seu filho Mahinda.

Dhammacakka, ou Asalha Puja – a lua cheia do mês de julho comemora o Primeiro Sermão do Buda, realizado em Benares.

Em países Mahayana:

em fevereiro – o nascimento do Bodhisattva Avalokiteshvara (em chinês, Kuan Yin Pu Sa).

15 de fevereiro – o Mahaparinirvana do Buda.

8 de abril – aniversário do Buda (no Japão, Hanamatsuri: “festa das flores”).

em junho – a Iluminação do Bodhisattva Avalokiteshvara (em chinês, Kuan Yin Pu Sa).

em julho – o Dia da Sanga (Festival Ullambana ou Dia da Alegria do Buda).

em julho – o nascimento do Bodhisattva Kshtigarba (em chinês, Ti Ts’ang Pu Sa).

em setembro – o nascimento de Bhaishajyaguru Buddha, o Buda da Medicina (em chinês, Yao Shih Fo).

em novembro – o nascimento do Buda Amitabha (em chinês, O Mi To Fo).

15 de dezembro – o dia da Iluminação de Sidarta Gautama, o Buda Shakyamuni (em chinês, Shi Chia Mo Ni Fo).

FLOR UDUMBARA (Ficus glomerata) flor rara e maravilhosa. Nos sutras budistas, é utilizada como metáfora para o raro aparecimento de um Buda na Terra.

FO (chinês) – veja Buddha.

FO GUANG SHAN (chinês, “Montanha da Luz de Buda”) – é o nome do Monastério Central, em Taiwan (República da China), da Escola fundada pelo Venerável Mestre Hsing Yün.

FO-KUO-CHI (chinês) – registro sobre as regiões budistas

FO-TSU – é um cordão de contas, como “rosários” para guiar-se ao recitar mantras; existe na forma de colar ou de pulseiras de recitação menores. Veja mala.

FO-TSU T’UNG-CHI (chinês) – registro da ascendência do Buda e dos Patriarcas.

FUGEN (jap.) – veja Samantabhadra.

FUKAN-ZAZENGI (jap.) – Princípios Gerais para a Prática da Meditação; texto de Dôgen Zenji.

FUSÃO DOS ENSINAMENTOS DO C'HAN, TERRA PURA E O CAMINHO DO MEIO NO BUDISMO HUMANISTA – o VM Hsing Yün nos diz: “Os ensinamentos budistas são vastos e profundos, e existem muitas seitas e escolas. Os ensinamentos das escolas Ch'an e Terra Pura, a doutrina da unidade da forma e do vazio e o Caminho do Meio são alguns dos ensinamentos budistas voltados para o cotidiano das pessoas, e são, portanto, parte do Budismo Humanista. Na tradição Ch'an, patriarcas e mestres não praticam meditação para se tornarem Budas, mas para atingirem a iluminação. Com a iluminação, eles são capazes de experimentar a liberação e concentrar suas mentes e corpos no aqui-e-agora da vida diária. O que há de mais gratificante para os praticantes do Ch'an é encontrar a paz do corpo e da mente, ou em outras palavras, ‘iluminar a mente e desvendar nossa Verdadeira Natureza’. Assim, os praticantes do Ch'an direcionam sua atenção à vida neste mundo”.

A escola da Terra Pura faz o mesmo. Seus praticantes praticam a consciência (mindfulness) do Buda Amitabha e recitam o nome do Buda neste mundo na esperança de conseguir o renascimento na Terra Pura. Se suas práticas não forem adequadas, o renascimento na Terra Pura é impossível; assim, eles consideram este mundo como uma base para se devotarem a seu crescimento e a serem conscientes do Buda Amitabha. Não há atalhos. A prática da Terra Pura é um excelente método para acalmar nossas mentes e corpos, especialmente quando somos obrigados a enfrentar os desafios da sociedade moderna. Ao praticar os métodos do Darma, Ch'an e Terra Pura, se está verdadeiramente praticando Budismo Humanista”.

O Caminho do Meio, que é a sabedoria de harmonizar o vazio e a existência, nos permite a aventura de introduzirmo-nos diretamente na verdadeira realidade de todos os fenômenos. Ter a sabedoria prajna do Caminho do Meio significa gozar felicidade e bênçãos nesta vida mesmo. Algumas pessoas enfatizam excessivamente a vida materialista; elas se perdem no entusiasmo ardente das buscas mundanas. Outras abandonam o mundo recolhendo-se às montanhas para estarem sós. Cegos para os sofrimentos do mundo, tais pessoas são tão insensíveis quanto um galho seco ou um punhado de cinzas frias. Uma vida muito reclusa ou muito apaixonada não é saudável; falta-lhe a harmonia do Caminho do Meio”. 
”O ‘Caminho do Meio’ se refere à sabedoria prajna de contemplar o modo harmonizado. Se tivermos esse tipo de sabedoria, conheceremos os princípios subjacentes funcionando em várias situações e as atitudes apropriadas para lidar com eles. Se tivermos a sabedoria do Caminho do Meio, saberemos que a existência ocorre no vazio; sem o vazio nada poderia existir. Se não houvesse vazio espacial, como poderíamos nos reunir aqui? Sem espaço, como poderia desenvolver-se a infinidade de fenômenos do Universo? Somente em meio ao nada pode surgir a existência. O Budismo Humanista reconhece que o material e o espiritual são igualmente importantes na vida e, por isso, clama por uma vida que sustente a ambos. Existe o mundo externo das buscas e existe, também, o mundo interno da mente. Existe o mundo à nossa frente e existe, também, o que está atrás de nós. Se insistirmos em seguir em frente cegamente, é inevitável que nos machuquemos. É preciso, igualmente, olhar para trás e para dentro. O Budismo Humanista tem em conta tanto a existência quanto o vazio, a possessão e a não-possessão, o mundo do companheirismo e o da solidão. Harmonizando todas as coisas neste mundo, o Budismo Humanista permite às pessoas conquistar uma vida bela e maravilhosa”.

O Budismo Humanista que promovo pode ser observado no objetivo que estabeleci para a Ordem Budista Internacional Fo Guang Shan. O objetivo é dar às pessoas convicção, alegria, esperança e bem-estar. Acredito que estar disposto a servir, a dar uma mão, a estabelecer laços de amizade e a alegrar os demais são os ensinamentos do Buda. Em poucas palavras, a meta do Budismo Humanista promovido por Fo Guang Shan é tornar o Budismo relevante no mundo, em nossas vidas e em cada um de nossos corações. Apenas feche seus olhos e todo o Universo estará lá, dentro de você. Pode dizer a si mesmo: ‘Todos no mundo podem me abandonar, mas o Buda em meu coração jamais vai me deixar’ “.

 “No mundo de hoje, estamos todos sobrecarregados de responsabilidades. Todos nos sentimos estressados com as obrigações em relação à nossa casa, aos negócios e à família. Sendo assim, como podemos viver uma vida satisfatória e feliz? Se praticarmos o Budismo Humanista, ou, em outras palavras, aplicarmos os ensinamentos budistas ao nosso cotidiano, possuiremos, então, todo o Universo, felizes e em paz em tudo que fizermos. Como disse o Mestre Ch'an Wumen: ‘A primavera tem suas flores, o outono, sua lua cheia brilhante; o verão tem suas brisas frescas e o inverno, a neve. A menos que sejamos aprisionados pelas preocupações mundanas, todas as estações são ótimas estações’. ‘Quando a mente está sobrecarregada, o mundo todo parece limitado; quando a mente está livre de preocupações, até uma pequena cama se alarga”. Quando verdadeiramente alcançamos o mundo interno de nossas mentes, somente então somos um com todos os seres viventes e com todos os mundos. Com esta consciência, podemos ser felizes e relaxar. Como conseguir esta consciência? Só a obteremos se praticarmos continuamente os ensinamentos budistas em todas as circunstâncias de nossa vida diária. Este é o verdadeiro espírito do Budismo Humanista”.

Eu lhes apresentei aqui as seis diferentes maneiras pelas quais o Budismo Humanista incorpora os ensinamentos tradicionais dos Cinco Veículos; os Cinco Preceitos e as Dez Virtudes; Os Quatro Votos Ilimitados; os Seis Paramitas e as Quatro Grandes Virtudes Bodhisattvas; causa, condição, efeito e conseqüência; Ch'an, Terra Pura e o Caminho do Meio. Como esta conferência sobre o Budismo Humanista está chegando ao fim, ofereço-lhes estes pensamentos. Que sejam todos abençoados!”

 

G

 

GAMPOPA (tib., Sgam Po Pa) – monge tibetano (1079-1153), fundador da escola Kagyü.

GANTHA (sânscr.; jap., kongô-rei) – no budismo Vajrayana, instrumento que representa a sabedoria (prajna).

GANJIN (jap.) – veja Chien-Chen.

GARUDA (sânscr.) – pássaro mítico, metade homem, metade pássaro. No budismo garuda é, ocasionalmente, usado como sinônimo para Buda; em represen­tações de dhyanabuddha Amoghasiddhi, garuda aparece, às vezes, como seu veículo.

GASSHO (jap.) – um gesto ou cumprimento de respeito em que as mãos, com as palmas unidas e os dedos estendidos, são mantidas no nível superior do tórax ou na região inferior do rosto. Simboliza a unidade do corpo e da mente.

GATHA (sânscr.) – verso, sutra.

GATI (sânscr.) – modo de existência em um dos “Seis Reinos do Samsara”: divino (deva), semi-divino (asura), humano (manushya), animal (tiryak), fantasmagórico (preta) ou infernal (naraka).

GAUTAMA (sânscr., tama: “o mais vitorioso”, gau: “na terra”) – nome do chefe da linhagem do clã dos Sakya; nome do Buda histórico.

GAZAN – monge Zen Soto que viveu três gerações após Zenji Dogen e que foi o sucessor de Keizan Jokin.

GELUG[-PA] (tib., Dge Lugs [Pa]) – escola Vajrayana fundada pelo monge tibetano Tsongkhapa (1357-1419), centralizada nos ensinamentos do Lamrim.

GÊNESE CONDICIONADA (sânscr., pratitya-samut-pada) – “surgimento dependente”, “surgimento candicionado”, “gênese co-dependente” – a lei de funcionamento do universo conforme percebida pelo Buda, segundo a qual todos os fenômenos dependem uns dos outros. Assim, nenhuma coisa ou fenômeno surge do nada nem pode existir indepen­dentemente por si própria. Ensinamento fundamental de todas as escolas do budismo, segundo o qual todos os fenômenos mentais e físicos da existência individual são interdependentes e condicionam-se mutua­mente. Ao mesmo tempo, a expressão descreve como os seres sencientes se emaranham no samsara.

GENJO-KÔAN (jap.) – é o kôan da Vida Diária; texto de Zenji Dôgen.

GESHE – um título dado pelos Monastérios Kadampas para mestres Bu­distas realizados.

GESHE LANGRI TANGPA (1054-1123 E.C) – um grande Geshe Kadampa que era famoso por sua realização de trocar o “eu” por outros. Ele compôs os Oito Versos do Treino da Mente.

GOKE-SHICHISHÛ (jap.) – cinco casas e sete escolas; as linhagens do budismo Zen chinês, surgidas durante a dinastia Tang (618-907).

GOTO EGEN – registros históricos de renome dos mestres zen chineses, em vinte e dois volumes.

GRANDE VEÍCULO – veja Mahayana.

GRIDHRAKUTA (sânscr.) – “Pico dos Abutres”; montanha indiana onde Shakyamuni teria transmitido os ensinamentos Mahayana.

GURU (sânscr.; tib., Lama/ Bla Ma) – “mestre espiritual”; uma das Três Raízes do budismo Vajrayana. Alguns consideram-no como a Quarta Jóia.

GURU RINPOCHE (tib.) – Mestre Precioso; veja Padmasambhava.

GUTEI – designação chinesa dada a Chuchih, mestre Zen do século IX.

GYOZAN EJAKU (falecido em 890) – famoso mestre Zen da dinastia T’ang.

GYULÜ (tib., Sgyu Lus) – corpo ilusório; uma das seis yogas de Naropa (Naro Chödrug).

 

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