A Visão Atual do Nosso Universo – A Realidade

“Tenho sérias dúvidas de que alguém dentre nós tenha a mais ligeira idéia do significado da realidade ou da existência de qualquer outra coisa exceto os nossos egos” 4:62.

Arthur Stanley Eddington (1.882-1.944)

(físico e astrônomo inglês)

Órion: Filosofia, Religião e Ciência (Volume 1)

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Não existem coisas observáveis na imagem mental do mundo. As coisas observáveis pertencem ao mundo das experiências sensoriais”.

Max Plank (1.858-1.947)

 

“Vejo as coisas como são e me pergunto: por quê? Sonho as coisas como as quero e me pergunto: por que não?”

George Bernard Shaw (1.856-1.950)

 

Já no século II, Epictetus afirmava que a nossa mente poderia ser capaz de ver diversas realidades: “As aparências para a mente são de quatro tipos: As coisas que são o que parecem ser, ou não são nem parecem ser, ou são e não parecem ser, e as que não são e, mesmo assim, parecem ser. Distingui-las é a tarefa do sábio”. Com o advento da teoria da relatividade, no início do século XX, vimos morrer o desejo de se saber o que é real. Os cientistas se contentam, hoje, em oferecer a melhor visão do mundo que podem perceber. O tempo, por exemplo, passou a ser um conceito relativo que varia com a velocidade do objeto, no mundo macro, e está ligado aos nossos sentidos, no mundo micro. Nossa mente é que produz o nosso tempo, podendo ser aumentado, diminuído ou até parado (nos estados alterados da mente e da consciência).

Do mesmo modo o espaço também passou a ser visto como um conceito relativo. Baseando-se na teoria-M, derivada do conceito de p-branas, viu-se a possibilidade da existência de até 11 dimensões em nosso Universo (Cf. “Supercordas“). Mais ainda havia a possibilidade da existência de grandes dimensões extras, o nosso Universo na forma de um grande p-brana ou mundo-brana. Nesse mundo-brana, em forma de bolha, apenas a matéria e as forças não-gravitacionais estariam confinadas, num espaço multidimensional, no interior da brana em que vivemos. Por outro lado, a força gravitacional permearia todo o espaço/tempo multidimensional, interferindo em todas as dimensões, ou mundos-brana. Dessa forma sentiríamos as influências gravitacionais do mundo-brana paralelo sem vê-lo. 

Essa teoria gravitacional em um espaço multidimensional explicaria como a alta velocidade das estrelas, às margens de galáxias espirais, não faz com que elas se livrem do poder gravitacional da galáxia, se desgarrando dela. Outra teoria atraente seria a de que as leis do movimento newtoniano sejam incorretas para explicar o fenômeno e talvez devessem ser reescritas. Essa tese foi proposta em 1.983 pelo físico Mordehai Milgrom que a denominou MOND (Modified Newtonian Dynamics).

Mas essa discrepância de velocidades calculadas e observadas também pode indicar haver muito mais matéria nas partes externas das galáxias, matéria essa invisível. O conceito de matéria invisível surgiu em 1.933, quando o físico Fritz Zwicky criou o termo para explicar o fato do aglomerado de Coma se permanecer intacto, apesar da extraordinária rapidez de suas galáxias individuais. 

Desde então a noção de matéria invisível (escura ou oculta) passou a explicar uma série de enigmas e solucionou um mistério crucial sobre a formação galáctica: como o universo, a partir de um caldo homogêneo e quente de partículas, se transformou no conjunto de aglomerados galácticos que conhecemos. Não havia uma quantidade de matéria conhecida (léptons e quarks) suficiente para se juntar, antes que houvesse um resfriamento do Universo, mas havia matéria escura abundante para ser atraída gravitacionalmente e assim servir de apoio à matéria comum para a formação das galáxias, apesar da expansão cósmica.

Durante toda a década de 1.980, achou-se que essa matéria invisível fosse composta de matéria conhecida, apenas difícil de ser detectada, talvez nuvens de gás, ou buracos negros, ou anãs brancas, ou estrelas de nêutrons. Hoje se postula que possa ser constituída de neutrinos ou de uma outra forma diferente de matéria, como os exóticos WIMP (Weakly Interacting Massive Particles).

Em artigo publicado no New York Times, em 05 de março de 2.000, o correspondente George Johnson afirma que cientistas comprovaram a existência dessa “matéria oculta” (ou negra), que parece realmente vir de uma outra dimensão ou Universo paralelo. Esta matéria foi detectada na nebulosa NGC 1999 da constelação de Órion. No mesmo artigo se afirma que essa matéria oculta está em expansão, podendo passar através da matéria ordinária do nosso Universo, dificilmente deixando traços detectáveis, e que poderia ser a origem de boa parte do nosso Universo. Alguns cientistas postulam que formando essa “matéria oculta”, invisível, estariam partículas com massa que interagiriam debilmente com a matéria conhecida, os WIMP ou simplesmente quintessência.

Ela estaria impregnando todo o espaço vazio no nosso Universo contribuindo para a força antigravitacional (energia do vácuo ou energia escura) que está acelerando a expansão de nosso Universo. Recentemente, astrônomos da Universidade de Roma, numa conferência organizada na Califórnia, afirmaram ter detectado “ventos de Wimps” soprando através da Terra, da mesma forma que o fazem livremente no espaço e de uma forma mais livre do que os neutrinos.

Em 18 de outubro de 2.000, o Reuters New Service noticiou que em janeiro de 2.000, cientistas detectaram uma luminosidade avermelhada provinda de uma magnífica explosão. O astro morto deveria ter tido um tamanho 30 vezes maior que o nosso Sol, e a luz viajou cerca de 11 bilhões de anos até chegar à Terra, na forma de raios gama. A demora na divulgação se deveu à dificuldade de se identificar de onde provinha. A luminosidade, conhecida como GRB 000131, vem da constelação de Eta Carina. A Science News, vol. 158, de 14 de outubro de 2.000, divulgou que a luz proveniente da explosão angulou-se durante o trajeto. Sabe-se, de acordo com a relatividade geral, que para a angulação da luz é necessária a interposição de um objeto com massa entre a fonte da luz e seu ponto de observação. Esse objeto funciona como uma lente gravitacional, entortando e magnificando a luz. Provavelmente a nova forma de matéria invisível, detectada em Órion, estaria deformando a luminosidade proveniente de Eta Carina. Em um experimento conduzido por J. Anthony Tyson, dos Laboratórios Bells (New Jersey), quando ele e colaboradores pesquisavam a causa de uma deformidade na luz de uma galáxia, não acharam qualquer astro ou galáxia ou buraco negro que justificasse a observação. Simplesmente não existia ou não era visível.

Esta matéria estaria presente em todo o Universo, permeando-o e preenchendo cerca de 90 a 95% dele. Interferiria em tudo no Universo, imperceptivelmente. O Originador e Controlador do Universo. Em suma, os astrônomos crêem que o presente conteúdo energético do Universo seja aproximadamente 4% de matéria ordinária (um décimo visível na forma de astros e gás), um terço de matéria escura e dois terços de energia escura. Mais exatamente, 0,005% de radiação (energia eletro-magnética), 0,5% de matéria ordinária visível (galáxias, etc.), 3,5% de matéria ordinária não luminosa, 26% de matéria escura e  70% de energia Escura (Vazio) – SCIAM EE 1, pág 47.

Isso deu origem à astronomia subterrânea. Colocam-se telescópios de neutrinos debaixo da Terra, no fundo do mar ou no fundo de geleiras, com quilômetros de rocha, água ou gelo em cima. A única coisa que chega ai vinda do espaço, são os neutrinos, ou seus primos pesados e cuja detecção é ainda precária, os WIMPs. Em 1964, Raymond Davis detectou neutrinos vindos dos Sol. Em 1987, Masatoshi Koshiba detectou neutrinos vindos da supernova 1987A. Por essas descobertas, eles ganharam o Premio Nobel de Física de 2002, que eles dividiram com o italiano Riccardo Giacconi, que deu inicio à astronomia de raios-X. O trio ganhou o Prêmio Nobel por abrirem novas janelas para a observação do Universo, a astronomia de neutrinos e a astronomia de raios-X.

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