Neuropeptídeos: as Emoções e a Mente do Corpo

A Mente está no Cérebro?

Falamos sobre a mente e surge a pergunta: Onde está localizada? Em nosso próprio trabalho, a consciência tem surgido no contexto do estudo da dor e o papel dos receptores opiáticos e endorfinas na modulação da dor. Muitos laboratórios estão medindo a dor, e todos nós concordaríamos que a região denominada cinza periaqueductal, localizada aproximadamente no terceiro ventrículo do cérebro, está repleto de receptores opiáticos, formando uma espécie de área de controle da dor. Descobrimos que esta região também está carregada de receptores para praticamente todos os neuropeptídeos que já foram estudados.

Atualmente todos sabem que há yogues que conseguem treinar-se até o ponto de não perceber a dor, dependendo de como estruturam sua experiência. As mulheres em trabalho de parto fazem a mesma coisa. Aparentemente o que acontece é que essas pessoas conseguem se conectar (plugar) com sua região cinza periaqueductal. De alguma forma elas obtêm acesso a ela com a consciência, creio eu, e estabelecem níveis de limites para a dor. Notem o que está acontecendo nestes casos. Nestas situações a pessoa tem uma experiência que traz consigo a dor, mas uma parte daquela pessoa conscientemente faz alguma coisa para que a dor não seja sentida. De onde vem esta consciência, essa consciência que de alguma forma se liga no cinza periaqueductal para que não sinta absolutamente nada?

Gostaria de voltar à idéia da rede. Uma rede é diferente de uma estrutura hierárquica que possui um local no topo. Teoricamente podemos conectar (plugar) a rede em qualquer ponto e chegar à outro ponto. Esse tipo de conceito me parece valioso no raciocínio sobre o processo pelo qual a consciência consegue alcançar o cinza periaqueductal e usá-lo para controlar a dor.

Tanto o yogue como a mulher em trabalho de parto utilizam uma técnica semelhante para controlar a dor com a respiração. Os atletas também usam essa técnica. A respiração é extremamente poderosa. Suponho que há um substrato físico para estes fenômenos, o núcleo do tronco cerebral. Eu diria que agora devemos incluir o núcleo do tronco cerebral no sistema límbico por que são pontos nodais, altamente encrustados de neuropeptídeos e receptores.

A idéia então continua assim: a respiração possui um substrato físico que também constitui um ponto nodal que é parte de uma rede de informação no qual cada parte leva a todas as outras partes, e assim por diante, e portanto, partindo do ponto nodal do núcleo do tronco cerebral a consciência consegue, entre outras coisas, se conectar ao cinza periaqueductal.

Acho que agora é posivel conceber a mente e a consciência como uma emanação do processamento de informação emocional, e como tal, a mente e a consciência seriam aparentemente independentes do cérebro e do corpo.

A MENTE PODE SOBREVIVER À MORTE FÍSICA?

Uma última especulação, talvez absurda, mas dentro do tema que me foi solicitado considerar para este simpósio sobre “Sobrevivência e Consciência”. A mente pode sobreviver à morte do cérebro físico? Talvez agora devamos nos recordar de como a matemática sugere que as entidades físicas podem repentinamente sucumbir ou expandir infinitamente. Acho importante entender que a informação é armazenada no cérebro, e para mim é concebível que essa informação é capaz de transformar-se em alguma outra esfera. As moléculas de DNA certamente contêm a informação que constitui o cérebro e o corpo, e corpo-mente, parecem compartilhar as moléculas de informação que animam o organismo. Para onde vai a informação após a destruição das moléculas (a massa) que a compõem? A matéria nem pode ser criada nem destruída, e talvez o fluxo biológico de informação não possa simplesmente desaparecer com a morte e tenha que ser transformado em outra esfera. Quem pode racionalmente afirmar “impossível”? Ninguém até o momento conseguiu unir matematicamente a teoria de campo gravitacional com matéria e energia. A matemática da consciência ainda não foi abordada. A natureza da “outra esfera” hipotética está atualmente na dimensão mistica ou religiosa, onde a ciência Ocidental é claramente proibida pisar.

 

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